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Bloco cerâmico ou bloco de concreto: qual faz sentido para as paredes da sua obra?
Quem vai erguer uma casa em Jaguariúna, Pedreira ou Holambra costuma ouvir duas opiniões diferentes no mesmo dia. O pedreiro de confiança defende o bloco cerâmico, e o vizinho que acabou de construir prefere o bloco de concreto. A dúvida é legítima e não tem resposta única. O que existe são critérios objetivos que ajudam a decidir de acordo com o projeto, o clima da região de Campinas e o tipo de parede que precisa ser levantada. Neste texto, a redação da Ceramica A. Battocchio organiza esses critérios para que a conversa com o responsável técnico da obra seja mais clara e produtiva.
Antes de comparar materiais, vale responder a uma pergunta: a parede vai sustentar carga ou apenas fechar o vão? Em casas com estrutura de concreto armado, com pilares, vigas e laje, as paredes são de vedação, e o bloco cerâmico de vedação, com furos na horizontal, cumpre bem esse papel. Na alvenaria estrutural, a própria parede recebe o peso da laje e do telhado. Nesse sistema usam-se blocos estruturais, cerâmicos ou de concreto, com furos na vertical e resistência definida em projeto. Trocar um pelo outro por conta própria é um erro sério, porque o bloco de vedação não foi feito para carregar laje.
O peso é a diferença que mais aparece no dia a dia. Um bloco cerâmico de vedação de 14 x 19 x 29 cm costuma ficar entre 5 e 6 kg. Um bloco de concreto de 14 x 19 x 39 cm, medida comum nas lojas da região, gira em torno de 10 a 12 kg. Isso significa menos carga sobre vigas e fundação quando a parede é cerâmica, e também menos esforço para quem carrega o material. Em lotes com ladeira, comuns em bairros antigos de Amparo e Pedreira, ou em ruas estreitas onde o caminhão não encosta, essa diferença pesa na produtividade da equipe ao longo de semanas de obra.
O clima da região metropolitana de Campinas também entra na conta. O verão é quente e concentra chuvas entre dezembro e março, enquanto o inverno é seco e tem noites frias. A argila queimada tem baixa condutividade térmica, e os furos internos do bloco guardam ar, o que ajuda a reduzir a passagem de calor do lado de fora para dentro dos cômodos. O bloco de concreto, mais denso, tende a acumular calor durante o dia e devolvê-lo à noite. Na prática, o desempenho final depende também de reboco, cor da fachada, sombreamento e ventilação, mas a escolha do bloco é um ponto de partida relevante para quartos voltados ao poente.
Quanto à umidade, a cerâmica bem queimada não se deteriora com a água da chuva, porque o barro passou por transformação a altas temperaturas e virou um material estável. Ela absorve uma pequena parte de água e devolve ao ambiente quando o tempo seca. Por isso, o que realmente protege a parede é o conjunto: impermeabilização da fundação, reboco bem executado e beirais adequados. Paredes cerâmicas que ficam manchadas na base quase sempre revelam falha de impermeabilização no baldrame, e não defeito do bloco. O mesmo raciocínio vale para o concreto, que também precisa dessa proteção para não apresentar bolor.
Cortes e instalações merecem atenção. O bloco cerâmico de vedação, por ter paredes internas finas, quebra com mais facilidade quando alguém abre rasgos para conduítes e canos usando marreta e talhadeira. O caminho é marcar o traçado e cortar com serra própria, o que reduz a perda e evita trincas que depois aparecem no reboco. O bloco de concreto aceita cortes mais regulares e, quando o projeto prevê parede aparente, sua face uniforme pode dispensar parte do acabamento. Em contrapartida, ele exige mais força para manusear e furar, e as ferramentas sofrem mais desgaste ao longo da obra.
Comparar apenas o preço por peça leva a conclusões erradas. O cálculo que importa é o custo do metro quadrado de parede pronta. Considerando junta de 1 cm, o bloco cerâmico de 14 x 19 x 29 cm pede cerca de 17 peças por metro quadrado, e o de concreto de 14 x 19 x 39 cm, perto de 13. Some a argamassa de assentamento, o frete, que varia com o peso transportado, a margem de quebra, que costuma ficar entre 3% e 5% com bom manuseio, e a espessura do reboco necessária. Só depois dessa soma dá para saber qual opção pesa menos no bolso do seu projeto específico.
A região tem tradição antiga em cerâmica vermelha, e cidades como Jaguariúna, Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim convivem há décadas com olarias e fábricas de telhas e blocos. Isso facilita encontrar material produzido perto da obra, com menor distância de transporte e peças que já são conhecidas pelos pedreiros locais. Ainda assim, vale conferir na entrega se os blocos têm medidas regulares, cantos inteiros, som claro quando batidos levemente um contra o outro e ausência de trincas, independentemente de onde vierem.
Para decidir, leve estas perguntas ao engenheiro ou arquiteto responsável: o sistema da casa é estrutural ou de vedação? Qual resistência o projeto exige? Há paredes muito expostas ao sol da tarde? O terreno permite descarga próxima ao local de uso? Quanto custa o metro quadrado de parede pronta em cada opção? Com essas respostas em mãos, a escolha deixa de ser uma disputa de preferências e passa a ser uma decisão técnica, coerente com o terreno, o clima e o orçamento disponível para a obra.