Entenda os tipos de tijolo e bloco
Tijolo maciço, tijolo furado, bloco de vedação e bloco estrutural têm usos diferentes. Saber distinguir cada um evita trocas que comprometem a parede.
A Ceramica A. Battocchio reúne aqui, em Jaguariúna, explicações práticas sobre cerâmica vermelha para quem vai construir ou reformar na região de Campinas: escolha da peça, cálculo, estocagem e cuidados com o telhado.
A Ceramica A. Battocchio é a empresa por trás deste portal editorial. Ela fabrica artefatos de cerâmica e barro cozido para construção em Jaguariúna, na Avenida Pacífico Moneda, no bairro Capotuna, e decidiu reunir aqui, em formato de leitura, as explicações que costuma dar a quem pergunta sobre tijolos, blocos e telhas.
A ideia surgiu de uma constatação simples: muita gente compra material para a primeira casa ou para uma ampliação sem conhecer a diferença entre bloco de vedação e estrutural, sem calcular a perda e sem ter onde guardar as peças no lote. Essas dúvidas aparecem em Jaguariúna e também em Pedreira, Amparo, Holambra, Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim, onde o barro cozido faz parte das obras há gerações.
Os textos tratam de escolha de material, cálculo por metro quadrado, armazenamento, recebimento, comportamento da cerâmica diante da umidade e do calor e conservação do telhado. Procuramos usar exemplos do canteiro, com números de referência que podem ser conferidos em catálogos e normas técnicas. Quando um assunto depende de projeto, como a opção por alvenaria estrutural, deixamos claro que a palavra final é do engenheiro ou arquiteto responsável.
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Três perguntas sobre situações comuns nas obras de Jaguariúna e região. Escolha a opção mais próxima do seu caso e leia o retorno.
Quem vai erguer uma casa ou reformar um cômodo em Jaguariúna, Pedreira ou Amparo costuma escolher o material cerâmico olhando apenas o valor do milheiro. Este guia reúne o que vale saber antes: tipos de peça, diferença entre sistemas, cálculo, estocagem, recebimento e conservação do telhado, em linguagem direta e com números de referência que podem ser conferidos em catálogos de fabricantes.
O tijolo maciço, aquele de barro compacto e sem furos, ainda aparece em muros, churrasqueiras, lareiras e paredes de tijolo aparente. Ele pesa mais, consome mais argamassa por metro quadrado e exige mais tempo de assentamento. O tijolo furado, chamado na região de tijolo baiano ou de seis e oito furos, é mais leve e rende mais por metro quadrado, por isso domina as paredes de vedação das casas térreas e dos sobrados.
O bloco cerâmico é uma evolução desse tijolo furado: tem dimensões mais regulares, paredes internas dimensionadas e, em alguns modelos, furos na vertical. A regularidade permite juntas mais finas e paredes mais alinhadas, o que reduz o consumo de reboco e de massa. Antes de comparar valores, vale olhar a peça na mão: arestas vivas, cor uniforme e ausência de trincas dizem muito sobre a qualidade da queima.
Um teste simples de canteiro é bater levemente duas peças uma na outra. Som metálico e limpo costuma indicar queima completa; som abafado pode sinalizar peça mal cozida por dentro, mais sujeita a esfarelar quando molhada. Não substitui um ensaio de laboratório, mas ajuda o leigo a perceber diferenças entre lotes antes que o material vá para a parede e fique escondido sob o reboco.
O bloco de vedação serve para fechar vãos: sustenta o próprio peso, o reboco e itens leves, como quadros e prateleiras, mas não carrega laje nem telhado. Nesse sistema, quem recebe as cargas é a estrutura de concreto armado, formada por fundações, pilares e vigas. Os furos do bloco de vedação geralmente ficam na horizontal, deitados ao longo da parede.
O bloco estrutural tem resistência à compressão bem superior e furos verticais, que podem receber graute e armaduras de aço. Na alvenaria estrutural, as próprias paredes sustentam a construção. Por isso não se abrem rasgos para tubulação depois que a parede está pronta, e remover uma parede numa reforma futura só é possível com projeto e cálculo específicos.
Trocar um tipo pelo outro sem cálculo é um dos erros mais caros em obras de pequeno porte. A escolha entre os dois sistemas é decisão de projeto, assinada por engenheiro ou arquiteto, e precisa ser tomada antes da compra do primeiro milheiro. Mudar de ideia no meio da obra costuma significar demolição, retrabalho e material perdido.
As telhas mais comuns na região de Campinas são a colonial, também chamada de capa e canal, a portuguesa, a romana e a francesa. A colonial tem visual tradicional e usa mais peças por metro quadrado, algo entre 24 e 26 unidades. Portuguesa e romana têm encaixes laterais mais firmes e ficam na casa de 16 a 17 peças por metro quadrado, o que deixa a cobertura mais leve.
Cada modelo pede uma inclinação mínima, informada pelo fabricante. Como referência, telhas coloniais costumam trabalhar a partir de 25%, e romanas e portuguesas a partir de 30%. Inclinação menor do que a indicada faz a água voltar por baixo das peças nos temporais de verão, frequentes em Jaguariúna, e o vazamento só aparece no forro meses depois.
A inclinação em porcentagem indica quantos centímetros o telhado sobe a cada metro de vão horizontal. Um telhado de 30% sobe 30 centímetros por metro. Esse número influencia a altura da cumeeira, a quantidade de madeira e até a aparência da fachada, por isso deve ser definido junto com o modelo de telha, e não depois que a estrutura já está montada.
A conta básica é a área líquida multiplicada pelo rendimento da peça por metro quadrado. Para paredes, mede-se comprimento vezes altura de cada pano, somam-se todos e descontam-se portas e janelas. O rendimento depende do tamanho da peça e da posição de assentamento: um bloco de 9x19x19 centímetros deitado rende cerca de 25 peças por metro quadrado, e o mesmo bloco em outra posição muda a espessura e o consumo.
Para o telhado, a área considerada é a inclinada, não a projeção da planta. Multiplica-se a área horizontal por um fator de correção que cresce com a inclinação; em telhados de 30%, esse fator fica perto de 1,04. Depois aplica-se o número de telhas por metro quadrado do modelo escolhido, sem esquecer cumeeiras e espigões, que são contados por metro linear.
Sobre o total, é comum somar de 5% a 10% para cortes, quebras no transporte e peças com defeito. Paredes com muitos recortes, cantos e vãos tendem a ficar no limite superior dessa faixa. Sobrar um pouco é preferível a buscar novo lote no meio da obra, já que cor e medidas podem variar ligeiramente entre fornadas diferentes.
O material deve ser descarregado perto do ponto de uso, sobre piso firme, plano e limpo, longe de valas e da passagem de carrinhos de mão. Empilhar diretamente sobre a terra faz a base das pilhas absorver umidade e barro, o que mancha o reboco e prejudica a aderência da argamassa. Pallets ou tábuas resolvem o problema com pouco custo.
Pilhas muito altas tombam e quebram peças; uma altura de até cerca de 1,5 metro é prática comum nos canteiros. Telhas ficam em pé, encostadas umas nas outras, em fileiras, e nunca deitadas em montes. Na época de chuva, uma lona solta por cima evita que o material fique encharcado antes do assentamento.
No recebimento, vale contar as peças ou conferir os pallets, observar a uniformidade de cor e medidas e separar as trincadas diante do motorista, anotando tudo no canhoto. Peças muito empenadas ou com manchas brancas excessivas na superfície merecem atenção. Esse cuidado simples evita discussões posteriores e mantém o desperdício dentro da margem prevista no cálculo.
A argila, ao ser queimada em fornos que passam de 800 °C, sofre transformações químicas permanentes: perde a água presa em sua estrutura e ganha rigidez. Por isso a peça bem queimada não volta a virar barro quando molha. Ela absorve um pouco de água, dentro de limites definidos em norma técnica, e devolve essa umidade ao ambiente quando o sol aparece.
Essa porosidade controlada também explica o conforto térmico. Paredes e telhas cerâmicas demoram a aquecer e a esfriar, amortecendo os picos de temperatura das tardes de verão no interior paulista. Combinadas com forro ventilado e beirais generosos, ajudam a manter os cômodos com temperatura mais estável ao longo do dia.
Comparada a outras soluções, a cerâmica tem perfil próprio. O bloco de concreto é mais pesado e costuma ter dimensões maiores; o gesso acartonado é leve e de montagem ágil, porém indicado para divisórias internas e áreas secas. Cada sistema tem seu lugar, e a decisão envolve projeto, clima, verba disponível e acabamento desejado.
Um telhado cerâmico bem executado dura décadas, mas pede revisões periódicas, de preferência antes da estação chuvosa, que na região costuma começar em outubro. A inspeção visual procura telhas quebradas ou deslocadas, cumeeiras soltas e calhas entupidas por folhas. Andar sobre as telhas deve ser evitado; o recomendado é usar tábuas apoiadas na estrutura para distribuir o peso.
Musgo e limo aparecem nas águas voltadas para o sul e em trechos sombreados por árvores. A limpeza com escova macia e água, sem jato de alta pressão direto, preserva a superfície da peça. Trabalho em altura envolve risco real de queda, e o recomendável é contar com profissional equipado com cinto de segurança e linha de vida.
Telhas de reposição devem ser do mesmo modelo e, se possível, de tom próximo ao original. Por isso vale guardar algumas peças que sobraram da obra, empilhadas em pé em local coberto. Elas facilitam reparos pontuais anos depois, quando o modelo pode ter mudado de desenho ou de cor e encontrar uma peça idêntica fica difícil.
Antes da compra, o projeto define se as paredes serão de vedação ou estruturais e qual modelo de telha cobrirá a casa. Essa decisão orienta todas as etapas seguintes.
Mede-se cada pano de parede e desconta-se o espaço de portas e janelas. No telhado, a área considerada é a inclinada, e não a projeção da planta.
Sobre o total calculado, soma-se de 5% a 10%. Paredes com muitos recortes e cantos ficam perto do limite superior dessa faixa.
O local de descarga precisa ser firme, plano e próximo do ponto de uso. Pallets ou tábuas e uma lona evitam o contato com terra e chuva.
Na chegada do caminhão, conferem-se quantidade, cor e medidas, e as peças trincadas são separadas e anotadas no canhoto, diante do motorista.
Tijolo maciço, tijolo furado, bloco de vedação e bloco estrutural têm usos diferentes. Saber distinguir cada um evita trocas que comprometem a parede.
Colonial, portuguesa, romana e francesa diferem no encaixe, no peso e na inclinação mínima. O modelo escolhido define o desenho do telhado.
Área líquida das paredes, área inclinada do telhado e rendimento de cada peça. Com esses três dados, a conta do material fica simples.
Piso firme, pilhas baixas, telhas em pé e lona na época de chuva reduzem a quebra e mantêm o desperdício dentro do previsto.
Revisão antes das chuvas de outubro, limpeza sem jato forte e peças de reserva guardadas da obra original prolongam a vida da cobertura.
Passo a passo para medir paredes e telhado, converter área em peças de cerâmica, aplicar margem de perda e organizar o recebimento na região de Campinas.
Heloísa Tavares BrandãoOito falhas comuns entre a chegada da cerâmica ao lote e a primeira fiada, com cuidados práticos para obras em Jaguariúna e região de Campinas.
Renato Siqueira LoboVedação ou estrutural, peso, conforto térmico, cortes e custo por metro quadrado: critérios para comparar bloco cerâmico e de concreto na região de Campinas.
Vinícius Prado MendonçaDepende do tamanho da peça e da posição de assentamento. Um bloco de 9x19x19 cm assentado deitado rende cerca de 25 unidades por metro quadrado. Ao total, costuma-se somar de 5% a 10% para cortes e quebras.
Não. O bloco de vedação foi feito para fechar vãos e suportar o próprio peso. Laje e telhado precisam de estrutura de concreto armado ou de alvenaria estrutural projetada por engenheiro.
Como referência, a partir de 25%, mas o valor exato está na ficha técnica de cada fabricante. Abaixo do mínimo, a água pode voltar por baixo das peças durante chuvas fortes.
Uma peça bem queimada não se desfaz com a chuva, mas encharcada atrapalha a aderência da argamassa. O ideal é deixá-la escorrer antes do uso. Em dias muito quentes, umedecer levemente evita que a peça puxe a água da massa.
Observe trincas, peças empenadas, variação forte de cor ou de medida e manchas brancas excessivas. Separe as peças com defeito diante do motorista e anote a quantidade no canhoto da entrega.
A cerâmica é mais leve e tem bom desempenho térmico; o bloco de concreto é mais pesado e tem outro tipo de acabamento. A decisão envolve projeto, clima, verba e mão de obra disponível, e deve ser tomada com o profissional responsável.
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